Efeito Stroop
O efeito Stroop mostra como é difícil ignorar algo que você lê sem querer. Dizer a cor da tinta de uma palavra é mais lento quando a palavra nomeia outra cor, como VERMELHO escrito em azul. No primeiro estudo, publicado em 1935, os estudantes levaram 74,3% mais tempo para dizer as cores de 100 palavras assim do que as de quadrados coloridos simples[1]. Em um teste moderno no computador, o atraso é uma fração de segundo por palavra: os estudantes de um estudo tiveram em média 78 ms[2].
Os números em uma tabela
| O que foi medido | Número |
|---|---|
| Estudo original: dizer as cores de 100 quadrados simples | 63,3 segundos |
| Dizer a tinta de 100 palavras de cor em conflito | 110,3 segundos |
| O tempo a mais, em proporção | 74,3% |
| Ler as palavras em voz alta, ignorando a tinta: tempo a mais | 2,3 segundos |
| Teste moderno no computador: tempo a mais por palavra em conflito, em média | 78 ms |
| Quanto os estudantes variaram em relação a essa média | 38 ms |
O estudo original cronometrou cartões inteiros de palavras com um cronômetro; o moderno cronometrou cada resposta, uma por uma, em um teclado. O padrão é o mesmo: palavras em conflito atrasam muito, tinta em conflito quase nada.
O que Stroop descobriu
John Ridley Stroop publicou os experimentos dele em 1935. Em um deles, estudantes universitários liam palavras de cor em voz alta, uma vez escritas em preto e outra vez com tinta de outra cor. A tinta colorida quase não fez diferença: ler 100 palavras levou só 2,3 segundos a mais, ou 5,6%[1].
No outro, 100 estudantes diziam a cor da tinta. Dizer as cores de quadrados simples levou em média 63,3 segundos para um cartão de 100. Dizer a tinta de palavras que escreviam outras cores levou 110,3 segundos: um aumento de 47 segundos, ou 74,3%[1]. A palavra atrapalhou a cor, mas a cor não atrapalhou a palavra.
Por que a leitura ganha
Para um adulto treinado, ler uma palavra curta é automático: você não consegue olhar uma palavra conhecida sem lê-la. Dizer o nome de uma cor é algo que você faz com menos frequência e de forma mais pensada. Quando as duas coisas chegam juntas e apontam respostas diferentes, a automática precisa ser segurada antes que a resposta certa saia, e segurá-la leva tempo. Às vezes isso falha, e você diz a palavra em vez da cor.
É isso que torna o teste interessante para a atenção. O tempo a mais mede o esforço de continuar na tarefa que foi dada enquanto algo mais familiar puxa para o outro lado. Os psicólogos chamam esse tipo de controle de inibição, ou atenção seletiva.
Isso também significa que o efeito depende de ler as palavras com fluência, sem esforço. Por isso o nosso teste mostra as palavras de cor na língua da página, onde elas são lidas de forma mais automática.
O efeito hoje
As versões modernas mostram uma palavra de cada vez no computador e medem o tempo de cada resposta, dada com uma tecla para cada cor. Em um estudo publicado em 2018, estudantes de graduação responderam a centenas de palavras em uma sessão. As respostas às palavras em conflito foram em média 78 ms mais lentas do que às palavras iguais, e as pessoas se espalharam em torno disso por cerca de 38 ms[2].
Quase todos mostram o efeito. Isso faz do teste de Stroop uma das demonstrações mais confiáveis da psicologia: em qualquer grupo, as palavras em conflito serão mais lentas.
O que uma pontuação de Stroop pode e não pode mostrar
O mesmo estudo fez uma pergunta mais difícil: a pontuação de Stroop de uma pessoa continua igual de um dia para o outro? Os estudantes foram testados duas vezes, com 3 semanas de intervalo. A concordância entre as duas sessões foi de 0,60 em um estudo e 0,66 em um segundo, em uma escala em que 0,82 foi o melhor valor que qualquer uma das sete tarefas deles alcançou[2].
Os autores chamaram isso de paradoxo da confiabilidade. Uma tarefa fica famosa porque funciona para quase todos, o que significa que as pessoas diferem pouco nela; e quando as pessoas diferem pouco, o ruído da medida é grande perto das diferenças reais entre elas. Assim, o efeito Stroop é muito seguro para um grupo e bem menos seguro para colocar uma pessoa à frente de outra[2].
- Uma pontuação de Stroop é um bom jeito de ver o efeito em você e de acompanhar como ele muda com a prática ou o cansaço.
- É um jeito ruim de comparar a sua atenção com a de outra pessoa a partir de uma única rodada curta.
- Ela não diz nada sobre o quanto você é inteligente nem sobre a sua saúde; é para curiosidade e autoconhecimento.
Uma resposta de Stroop é uma escolha
Toda resposta em um teste de Stroop, mesmo a uma palavra igual, é mais lenta do que uma reação simples. Em um teste de reação simples há um sinal e um botão; aqui você precisa ver a cor, escolher a tecla certa entre várias e apertá-la. Escolher leva tempo, e é por isso que os tempos de um teste de Stroop são medidos em passos maiores do que os de um teste de reação, e por isso a pontuação é a diferença entre dois tipos de palavra e não um tempo só.
As escolhas também são onde a idade mais aparece. Uma pesquisa com 7.130 adultos no Reino Unido achou que as reações simples mudaram pouco até cerca de 50, enquanto as reações com escolha ficaram mais lentas ao longo de toda a vida adulta[3]; um longo estudo em Baltimore achou que uma reação com decisão ficava mais lenta com a idade cerca de três vezes mais rápido do que uma simples[4]. Um adulto mais velho pode, portanto, esperar tempos de Stroop mais lentos no geral, mais um motivo para o teste comparar os dois tipos de palavra em vez de olhar só a velocidade.
Como o nosso teste mede
Nosso teste de Stroop começa com 8 palavras de treino que não contam e depois cronometra 48 palavras, metade delas em uma cor em conflito. Sua pontuação é a diferença entre o seu tempo do meio para as palavras em conflito e o tempo do meio para as iguais, junto com quantas você acertou. Usamos o tempo do meio porque uma única resposta lenta o move menos do que move uma média.
Como o teste é curto, sua pontuação vai variar de uma rodada para outra. Faça algumas vezes e olhe o tamanho habitual do seu efeito, em vez de um número só.
Por que toda resposta de Stroop é uma reação com escolha, e como os tempos de reação são medidos em geral, está explicado em como o tempo de reação é medido.
Perguntas
O que o teste de Stroop mede?
O quanto uma palavra que você lê de forma automática atrasa você quando precisa dizer a cor da tinta dela. O tempo a mais mostra como é difícil manter a tarefa ignorando a palavra.
Qual é um efeito Stroop normal?
Em um teste no computador, os estudantes de um estudo ficaram em média 78 ms mais lentos nas palavras em conflito. Na versão original, com cartões, dizer a tinta levou 74,3% mais tempo do que dizer cores simples.
Dá para melhorar no teste de Stroop?
As pontuações mudam de um dia para o outro, então é fácil conseguir uma rodada melhor e difícil tirar muita coisa disso. Em um estudo, as pontuações dos mesmos estudantes concordaram só de forma moderada entre sessões com 3 semanas de intervalo.
Por que o efeito Stroop é tão difícil de vencer?
Porque ler uma palavra conhecida acontece querendo ou não. Mesmo quem conhece o truque lê a palavra primeiro e precisa deixá-la de lado.
Fontes
- Stroop, J. R. (1935). Studies of interference in serial verbal reactions. Journal of Experimental Psychology, 18(6), 643–662.doi:10.1037/h0054651
College students in the United StatesExperiment 1: "Seventy college undergraduates (14 males and 56 females)". Experiment 2: "One hundred students (88 college undergraduates, 29 males and 59 females, and 12 graduate students, all females)"; mean times, NC "63.3 seconds", NCWd "110.3 seconds". Summary: the interference of conflicting word stimuli upon naming colors caused an increase of "47.0 seconds or 74.3 percent of the normal time for naming colors printed in squares." "The interference of conflicting color stimuli upon the time for reading 100 words ... caused an increase of only 2.3 seconds or 5.6 percent over the normal time for reading the same words printed in black."
(lido em 2026-10-06: https://psychclassics.yorku.ca/Stroop/) - Hedge, C., Powell, G., & Sumner, P. (2018). The reliability paradox: Why robust cognitive tasks do not produce reliable individual differences. Behavior Research Methods, 50(3), 1166–1186.doi:10.3758/s13428-017-0935-1
n = 47; Undergraduate students aged 18 to 21 in a university lab in the United Kingdom (50 took part, 3 did not return)Participants: "Participants in Study 1 were 50 (three male) undergraduate students aged 18–21 years"; Data analysis: "Data were not included if participants did not return for the follow-up session (3,2,2 for the three studies respectively)". Supplementary Table B1, Stroop task, "RT cost", Study 1, Session 1: "78 ms (38)".
(lido em 2026-10-06: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC5990556/)Abstract: "In three studies, we assessed test-retest reliability of seven classic tasks: Eriksen Flanker, Stroop, stop-signal, go/no-go, Posner cueing, Navon, and Spatial-Numerical Association of Response Code (SNARC). Reliabilities ranged from 0 to .82, being surprisingly low for most tasks given their common use." "Experimental effects become well established - and thus those tasks become popular - when between-subject variability is low." Table 1, Stroop, "RT cost": Study 1 ".60 (.31–.78)", Study 2 ".66 (.26–.83)". Participants: Study 1 "50 (three male) undergraduate students", Study 2 "62 (12 male) undergraduate students"; sessions "3 weeks apart".
(lido em 2026-10-06: https://www.ebi.ac.uk/europepmc/webservices/rest/PMC5990556/fullTextXML) - Der, G., & Deary, I. J. (2006). Age and sex differences in reaction time in adulthood: Results from the United Kingdom Health and Lifestyle Survey. Psychology and Aging, 21(1), 62–73.doi:10.1037/0882-7974.21.1.62
n = 7.130; Adults in the United Kingdom Health and Lifestyle SurveyAbstract: "The authors reanalyzed data for 7,130 adult participants in the United Kingdom Health and Lifestyle Survey" "The authors modeled the age differences in simple and 4-choice reaction time means and variabilities" "Simple RT shows little slowing until around 50, whereas choice RT slows throughout the adult age range."
(lido em 2026-10-06: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16594792/) - Fozard, J. L., Vercruyssen, M., Reynolds, S. L., Hancock, P. A., & Quilter, R. E. (1994). Age differences and changes in reaction time: The Baltimore Longitudinal Study of Aging. Journal of Gerontology, 49(4), P179–P189.doi:10.1093/geronj/49.4.p179
n = 1.265; Community volunteers in Baltimore aged 17 to 96Abstract: "This study analyzed auditory reaction time (RT) data from 1,265 community-dwelling volunteers (833 males and 432 females) who ranged in age from 17 to 96." "Repeated testing within participants (longitudinal analyses) over eight years showed consistent slowing and increased variability with age." "Beginning at about age 20, RTs increased at a rate of approximately 0.5 msec/yr for SRT and 1.6 msec/yr for DRT."
(lido em 2026-10-06: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/8014399/)