Medir tempo de reação: como é feito?
Medir tempo de reação é simples na ideia: um sinal aparece em um momento conhecido, a pessoa responde o mais rápido que pode, e o tempo entre os dois é o tempo de reação. Como medir o tempo de reação com precisão é o difícil: saber exatamente quando o sinal apareceu de verdade, pegar o começo exato da resposta e repetir muitas vezes, para ter um valor do meio justo. Uma montagem de laboratório calibrada mediu uma média de 230,8 ms para adultos que apertavam o botão de um mouse, e 213 ms depois de tirar o atraso do próprio equipamento[1].
As partes de uma medição
- Uma espera de duração imprevisível, para a pessoa não aprender o ritmo e apertar cedo demais.
- O sinal: uma luz, uma imagem, um som ou uma vibração, cujo momento real de aparecer precisa ser conhecido.
- A resposta: um toque no botão, uma tecla, um toque na tela ou um empurrão em um sensor, cujo momento real também precisa ser conhecido.
- Repetição: muitas tentativas, deixando de lado os toques cedo demais e os muito tardios, e tirando um valor típico do resto.
Cada passo pode dar errado do seu jeito. Uma espera fixa convida a chutar. Uma tela que mostra o sinal atrasado, ou um botão que avisa o toque atrasado, acrescenta um tempo que não é da pessoa. E uma tentativa só diz pouco, porque ninguém reage duas vezes na mesma velocidade.
Qual tempo de reação?
Os pesquisadores medem vários tipos, e o tipo decide o número. A reação simples tem um sinal e uma resposta, e é a mais rápida. A reação de escolha dá vários sinais, com uma resposta para cada um, como a tarefa de 4 escolhas de uma grande pesquisa britânica[2]. A reação de "vai ou não vai" pede que você aperte para um sinal e fique parado para outro. Em um estudo longo em Baltimore, ela ficou mais lenta com a idade cerca de três vezes mais depressa que a simples[3]. Um teste de palavras de cores, como o teste de Stroop, é uma reação de escolha com um conflito embutido.
Por isso, um número de tempo de reação sempre precisa da tarefa ao lado. O nosso teste de reação mede uma reação simples a uma luz, o teste de reação ao som uma reação simples a um apito, e o teste de Stroop uma escolha com conflito.
No laboratório
As primeiras medidas de tempo de reação foram feitas no século dezenove por Francis Galton, que registrou reações visuais simples abaixo de 190 ms em jovens[1]. Os laboratórios de hoje usam computadores, mas os conferem: medem o atraso da própria tela e do próprio botão e o levam em conta.
O grande estudo com o qual o nosso teste compara você fez exatamente isso. Seus 1.469 voluntários viam um alvo e apertavam o botão de um mouse. A média bruta foi 230,8 ms; tirando o atraso medido do equipamento, foi 213 ms. Os autores também mediram quanto tempo cada pessoa levava só para começar o movimento de um dedo, e assim puderam estimar o tempo para notar o alvo: cerca de 131 ms[1].
Os programas de laboratório também são muito precisos. Uma comparação de programas de experimentos, feita com mais de 110.000 tentativas e uma caixa de medição, achou que os melhores programas de laboratório marcavam os estímulos e as respostas com precisão abaixo de 1 ms[4].
Alguns laboratórios vão além e registram o cérebro ou os músculos. Em um estudo, registros do cérebro mostraram pessoas decidindo se uma foto exibida num relance tinha um animal em menos de 150 ms, antes de qualquer botão ser apertado[5].
Em uma largada de corrida
O atletismo mede o tempo de reação por um motivo prático: pegar as largadas queimadas. Sensores nos blocos de largada registram o empurrão dos pés de cada corredor em relação ao momento do tiro. As regras da World Athletics tratam uma reação menor que 0,1 segundo, medida por um sistema certificado desse tipo, como uma possível largada queimada[6].
Pesquisadores usaram o mesmo tipo de equipamento com mais detalhe, com sensores de força em cada apoio de pé sincronizados com o sinal de largada e registros dos músculos das pernas. Eles viram que os músculos de velocistas treinados podiam responder ao som em menos de 85 ms, e os primeiros sinais dos músculos em menos de 60 ms[7]. Um toque de botão é bem mais lento de marcar do que um sinal de músculo.
No navegador ou no celular
Uma página da web não consegue calibrar a tela e o mouse que estão na sua frente. Ela só pode marcar o que vê: quando pediu que o sinal fosse desenhado e quando soube do seu toque. Dois estudos mediram o quanto isso se afasta da realidade, apertando teclas e telas sensíveis ao toque com um robô. Em notebooks e celulares comuns, os navegadores registraram toda reação como mais lenta do que era, em média de 57,6 ms a 132,9 ms, conforme o aparelho e o navegador[8]. Em computadores de mesa e notebooks, o segundo estudo achou de 76,5 ms a 82,3 ms[9].
A boa notícia é que o atraso de um aparelho é bastante estável. A maior parte dos programas da grande comparação marcou as respostas em um navegador com precisão abaixo de 10 ms[4]. Assim, as diferenças entre as suas próprias rodadas em um aparelho têm sentido, mesmo quando o número absoluto parece alto.
Os celulares acrescentam mais. Em um estudo em que jovens adultos respondiam a apitos, vibrações e luzes em um celular, o sinal único mais rápido, um apito alto, ainda levou em média 405 ms, bem acima dos números de laboratório para uma luz[10].
Como o nosso teste de reação mede
- A tela fica verde depois de uma espera aleatória entre 1,5 s e 4,5 s, para você não aprender o momento.
- O momento do verde vem do quadro seguinte da tela, e o seu toque vem da hora que o navegador dá ao próprio evento, e não de quando o nosso código chegou a ele.
- Um toque mais rápido que 100 ms conta como chute e a tentativa se repete; um mais lento que 1.000 ms conta como distração.
- Depois de uma tentativa de treino, 5 tentativas contam (20 no modo preciso), e o seu resultado é o valor do meio.
- Se você trocar para outra aba ou janela durante uma tentativa, essa tentativa é descartada.
O teste também mede a taxa de atualização da sua tela e a mostra junto com o resultado, para você ver o que a tela acrescenta. Ele leva em conta o atraso que os estudos com robô acharam além do atraso do laboratório, 44,1 ms a 115,1 ms com teclado ou mouse e 39,8 ms a 52 ms com tela sensível ao toque, e mostra a comparação com o estudo como uma faixa. No computador essa faixa é larga, mais um motivo para comparar os seus próprios resultados em um só aparelho em vez de correr atrás de um número.
O artigo sobre input lag olha telas, mouses e taxas de atualização com mais detalhe, e cada estudo com o qual os nossos testes comparam você está na página dos estudos por trás dos números.
Perguntas
Como medir o tempo de reação em um laboratório?
Com uma tela e um botão calibrados, uma espera aleatória antes de cada sinal e muitas tentativas. O atraso do equipamento é medido e levado em conta: em um grande estudo, a média foi de 230,8 ms para 213 ms depois de ele ser removido.
Os testes de reação online são exatos?
São consistentes, mas mostram valores altos. Testes com robô acharam navegadores registrando as reações lentas demais, em média de 57,6 ms a 132,9 ms em aparelhos do dia a dia, e marcando-as com precisão abaixo de 10 ms na maior parte dos programas.
Como se mede o tempo de reação nas corridas?
Por sensores nos blocos de largada, ligados ao tiro de largada. Uma reação menor que 0,1 segundo é tratada como uma possível largada queimada.
Por que o meu resultado muda de tentativa para tentativa?
Porque as pessoas nunca reagem exatamente na mesma velocidade duas vezes, e porque o momento de cada toque cai de um jeito diferente em relação à atualização da tela. Por isso os testes usam várias tentativas e ficam com a do meio.
Fontes
- Woods, D. L., Wyma, J. M., Yund, E. W., Herron, T. J., & Reed, B. (2015). Factors influencing the latency of simple reaction time. Frontiers in Human Neuroscience, 9, 131.doi:10.3389/fnhum.2015.00131
n = 1.469; Community volunteers in Rotorua, New Zealand, aged 18 to 65 (mean age 45.8, 40% men)Abstract: "Experiment 1 examined a community sample of 1469 subjects ranging in age from 18 to 65. Mean SRT latencies were short (231, 213 ms when corrected for hardware delays) and increased significantly with age (0.55 ms/year)". Table 2, column Experiment 1: "N 1469", "SRT 230.8", "SRT SD 26.8".
(lido em 2026-10-01: https://www.frontiersin.org/journals/human-neuroscience/articles/10.3389/fnhum.2015.00131/full) - Der, G., & Deary, I. J. (2006). Age and sex differences in reaction time in adulthood: Results from the United Kingdom Health and Lifestyle Survey. Psychology and Aging, 21(1), 62–73.doi:10.1037/0882-7974.21.1.62
n = 7.130; Adults in the United Kingdom Health and Lifestyle SurveyAbstract: "The authors reanalyzed data for 7,130 adult participants in the United Kingdom Health and Lifestyle Survey" "The authors modeled the age differences in simple and 4-choice reaction time means and variabilities" "Simple RT shows little slowing until around 50, whereas choice RT slows throughout the adult age range."
(lido em 2026-10-06: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16594792/) - Fozard, J. L., Vercruyssen, M., Reynolds, S. L., Hancock, P. A., & Quilter, R. E. (1994). Age differences and changes in reaction time: The Baltimore Longitudinal Study of Aging. Journal of Gerontology, 49(4), P179–P189.doi:10.1093/geronj/49.4.p179
n = 1.265; Community volunteers in Baltimore aged 17 to 96Abstract: "This study analyzed auditory reaction time (RT) data from 1,265 community-dwelling volunteers (833 males and 432 females) who ranged in age from 17 to 96." "Repeated testing within participants (longitudinal analyses) over eight years showed consistent slowing and increased variability with age." "Beginning at about age 20, RTs increased at a rate of approximately 0.5 msec/yr for SRT and 1.6 msec/yr for DRT."
(lido em 2026-10-06: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/8014399/) - Bridges, D., Pitiot, A., MacAskill, M. R., & Peirce, J. W. (2020). The timing mega-study: comparing a range of experiment generators, both lab-based and online. PeerJ, 8, e9414.doi:10.7717/peerj.9414
Abstract: "Among the lab-based experiments, Psychtoolbox, PsychoPy, Presentation and E-Prime provided the best timing, all with mean precision under 1 millisecond across the visual, audio and response measures." "Online studies did not deliver the same level of precision as lab-based systems, with slightly more variability in all measurements." "For response times (measured using a high-performance button box), most of the packages achieved precision at least under 10 ms in all browsers, with PsychoPy achieving a precision under 3.5 ms in all." "The results, from over 110,000 trials, highlight the wide range of timing qualities that can occur even in these dedicated software packages for the task."
(lido em 2026-10-06: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/33005482/) - Thorpe, S., Fize, D., & Marlot, C. (1996). Speed of processing in the human visual system. Nature, 381(6582), 520–522.doi:10.1038/381520a0
Abstract: "Here we use a go/no-go categorization task in which subjects have to decide whether a previously unseen photograph, flashed on for just 20 ms, contains an animal. ERP analysis revealed a frontal negativity specific to no-go trials that develops roughly 150 ms after stimulus onset. We conclude that the visual processing needed to perform this highly demanding task can be achieved in under 150 ms."
(lido em 2026-10-06: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/8632824/) - World Athletics (2026). Book C, C2.1 Technical Rules, Rule 16 (The start), version in force from 1 July 2026. World Athletics Book of Rules.https://worldathletics.org/about-iaaf/documents/book-of-rules
C2.1 Technical Rules (document "C1.1 & C2.1 - Competition Rules & Technical Rules", dated 01 JUL 2026): "When a World Athletics certified Start Information System is in use, the Starter and/or an assigned Recaller shall wear headphones in order to clearly hear the acoustic signal emitted when the System indicates a possible false start (i.e. when the reaction time is less than 0.100 second)."
(lido em 2026-10-06: https://worldathletics.org/about-iaaf/documents/book-of-rules) - Pain, M. T. G., & Hibbs, A. (2007). Sprint starts and the minimum auditory reaction time. Journal of Sports Sciences, 25(1), 79–86.doi:10.1080/02640410600718004
Nine sprinters starting from instrumented blocksAbstract: "The simple auditory reaction time is one of the fastest reaction times and is thought to be rarely less than 100 ms." "Reaction time in nine athletes performing sprint starts in four conditions was measured using starting blocks instrumented with piezoelectric force transducers" "Five of the athletes had mean reaction times of less than 100 ms in at least one condition and 20% of all starts in the first two conditions had a reaction time of less than 100 ms. The results demonstrate that the neuromuscular-physiological component of simple auditory reaction times can be under 85 ms and that EMG latencies can be under 60 ms."
(lido em 2026-10-06: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/17127583/) - Pronk, T., Wiers, R. W., Molenkamp, B., & Murre, J. (2020). Mental chronometry in the pocket? Timing accuracy of web applications on touchscreen and keyboard devices. Behavior Research Methods, 52(3), 1371–1382.doi:10.3758/s13428-019-01321-2
Four devices from 2015 and 2016: a MacBook Pro, an ASUS laptop, a Samsung Galaxy S7 and an iPhone 6S, pressed by a robotAbstract: "In controlled circumstances, as can be realized in a lab setting, very accurate stimulus timing and moderately accurate RT measurements could be achieved on both touchscreen and keyboard devices, though RTs were consistently overestimated." Table 4 "Descriptives of RT overestimations (in milliseconds) per device and browser" (OS, Web Browser, Minimum, Maximum, Mean, SD): "Android Chrome 46.0 103.5 69.8 7.4", "iOS Safari 48.3 96.3 57.6 6.5", "MacOS Safari 93.0 163.7 132.9 8.1", "Windows Chrome 64.7 70.6 68.5 1.7", "Windows Firefox 49.8 84.9 61.9 5.7".
(lido em 2026-10-06: https://www.ebi.ac.uk/europepmc/webservices/rest/PMC7280355/fullTextXML) - Anwyl-Irvine, A., Dalmaijer, E. S., Hodges, N., & Evershed, J. K. (2021). Realistic precision and accuracy of online experiment platforms, web browsers, and devices. Behavior Research Methods, 53(4), 1407–1425.doi:10.3758/s13428-020-01501-5
Desktop and laptop computers with Windows 10 and macOS, pressed by a robot; and the equipment of 202,600 online participantsAbstract: "We then employed a robot actuator in realistic set-ups to measure response recording across the aforementioned platforms, and between different keyboard types (desktop and integrated laptop)." "We found that modern web platforms provide reasonable accuracy and precision for display duration and manual response time". Table 2 "RT delay is calculated as the difference between known and recorded RT." Browser means: "Chrome 78.81", "Edge 80.10", "Firefox 82.30", "Safari 76.50"; device means: "macOS-Desktop 85.35", "Windows-Desktop 76.24", "Windows-Laptop 73.65". Results: "We found that 77% of these devices were desktop or laptop computers, whereas only 20% were mobile devices" "Based on a sample of 202,600 participants."
(lido em 2026-10-06: https://www.ebi.ac.uk/europepmc/webservices/rest/PMC8367876/fullTextXML) - Yoshida, K. T., Kiernan, J. X., Okamura, A. M., & Nunez, C. M. (2023). Exploring human response times to combinations of audio, haptic, and visual stimuli from a mobile device. IEEE World Haptics Conference 2023 (arXiv:2305.17180).https://arxiv.org/abs/2305.17180
n = 20; Adults aged 20 to 29 holding an iPhone 11"Our user study included 20 participants (13 female, 6 male, 1 non-binary; aged 20-29)." "Participants had the shortest response time for the high audio stimulus (405 ± 50 ms) and longest response time for the low visual stimulus (528 ± 105 ms)." "The mean response time is the fastest in the condition with high levels of all three stimuli (mean ± standard deviation, 320 ± 43 ms)" "The fastest mean response time recorded for a particular subject was 250 ms, and the slowest was 819 ms." "The overall mean response time across all conditions was (380 ± 52 ms)."
(lido em 2026-10-06: https://arxiv.org/pdf/2305.17180)