Modelo Big Five de personalidade

Veja o modelo Big Five em uma linha: cinco jeitos amplos em que as pessoas diferem, chamados abertura, conscienciosidade, extroversão, amabilidade e neuroticismo. Os pesquisadores concordam com eles porque os mesmos cinco aparecem de novo e de novo: nas palavras que as pessoas usam para descrever umas às outras[1], nas notas dadas por amigos e também pelas próprias pessoas[2] e em 50 culturas ao redor do mundo[3]. Cerca de 40% das diferenças entre as pessoas nesses traços estão ligadas aos genes, segundo uma grande revisão de estudos com gêmeos e famílias[4].

Fazer o teste Big Five de personalidade

Os cinco traços em palavras simples

  • Abertura: curiosidade, imaginação e gosto por ideias, arte e experiências novas.
  • Conscienciosidade: ser organizado, cuidadoso, confiável e disposto a terminar o que começa.
  • Extroversão: gostar de companhia, de conversar, energia e animação.
  • Amabilidade: confiança, carinho, gentileza e vontade de cooperar.
  • Neuroticismo: a facilidade com que você sente preocupação, tristeza ou estresse; o oposto é a estabilidade emocional.

Cada traço é uma escala, não uma caixa. A maioria das pessoas fica perto do meio de cada uma, e nenhum ponto da escala é o certo para se ter. Nenhum dos cinco mede se uma pessoa é boa ou inteligente.

A pesquisa em uma tabela

Principais resultados por trás do modelo dos cinco fatores
PerguntaO que um estudo achou
Os cinco aparecem nas palavras do dia a dia?1.431 adjetivos de traços deram os mesmos cinco fatores em 10 análises diferentes
Os outros veem os mesmos traços?As notas que a pessoa dava a si mesma concordaram com as notas dos amigos em 0,25 a 0,62
Eles valem em várias culturas?A estrutura foi reconhecível em todas as 50 culturas estudadas
São herdados?Cerca de 40% das diferenças ligadas aos genes, 60% ao ambiente
São estáveis?A constância de um ano para o outro subiu de 0,31 na infância para cerca de 0,74 entre 50 e 70
Eles preveem resultados na vida?87% de 78 ligações publicadas foram achadas de novo

De onde vieram os cinco

A ideia começou pela língua. Se um jeito em que as pessoas diferem importa, as pessoas terão uma palavra para ele. Os pesquisadores reuniram os adjetivos do inglês que descrevem pessoas, pediram a muita gente que se avaliasse, ou avaliasse outros, com eles, e procuraram os grupos em que as palavras se juntavam. Em um conjunto de estudos publicado em 1990, Lewis Goldberg analisou 1.431 adjetivos de traços, reunidos em 75 grupos, e achou os mesmos cinco fatores em 10 análises diferentes. Nenhum fator além do quinto se sustentou nas amostras dele[1].

Pesquisadores de questionários chegaram aos mesmos cinco por outro caminho. Em um estudo publicado em 1987, Robert McCrae e Paul Costa compararam 738 avaliações de amigos sobre 275 adultos com as respostas dos próprios adultos. Os cinco fatores apareceram nos dois, e o que as pessoas diziam de si concordava com o que os outros diziam delas, com correlações de 0,25 a 0,62[2]. Um traço que os outros enxergam é mais do que uma imagem que a pessoa faz de si.

Os mesmos cinco pelo mundo

Se os cinco fossem um acidente do inglês ou de estudantes americanos, eles não viajariam. Em um projeto publicado em 2005, estudantes de 50 culturas avaliaram, cada um, alguém que conheciam bem, 11.985 pessoas no total, no mesmo questionário traduzido para a língua deles. A estrutura de cinco fatores se repetiu com clareza na maioria das culturas e foi reconhecível em todas[3].

O mesmo projeto achou que as diferenças por idade seguiam o padrão visto nos relatos das próprias pessoas, com mudança moderada nos anos de faculdade e mais lenta depois dos 40[3].

Natureza, criação e mudança

Estudos com gêmeos, famílias e adoção estimam quanto da diferença entre as pessoas está ligado aos genes. Uma revisão publicada em 2015 reuniu 62 resultados de mais de 100.000 pessoas. Em média, cerca de 40% das diferenças de personalidade estavam ligadas a influências genéticas e 60% a influências do ambiente. Os estudos com gêmeos deram estimativas mais altas (0,47) do que os estudos de famílias e adoção (0,22)[4]. Isso fala das diferenças dentro de um grupo, não de quanto do caráter de uma pessoa veio dos pais.

A personalidade é bastante estável, e fica mais com a idade. Uma revisão de 152 estudos de longo prazo, publicada em 2000, mediu o quanto as pessoas mantinham o seu lugar em relação às outras ao longo de cerca de 6,7 anos. A constância subiu de 0,31 na infância para 0,54 nos anos de faculdade, 0,64 aos 30 anos e um patamar em torno de 0,74 entre 50 e 70[5].

Estável não quer dizer fixo. Uma segunda revisão, de 92 amostras acompanhadas ao longo do tempo, achou que as pessoas, em média, ficam mais conscienciosas e mais estáveis emocionalmente, sobretudo entre 20 e 40, enquanto a abertura sobe na adolescência e cai na velhice, e a amabilidade só muda na velhice[6].

Traços amplos e facetas estreitas

Cada um dos cinco é amplo e costuma ser dividido em facetas mais estreitas. O questionário que o nosso teste Big Five usa divide cada traço em seis facetas de quatro afirmações cada: a extroversão, por exemplo, cobre simpatia, gosto por companhia, firmeza, atividade, busca de emoção e alegria. Duas pessoas com a mesma nota de extroversão podem chegar a ela por caminhos diferentes, uma pela alegria, outra pela firmeza, e é por isso que um perfil completo mostra as facetas além dos cinco totais.

Os cinco também não são tipos. Uma nota é um ponto em uma escala que vale para todos, não um grupo a que você pertence; a maioria das pessoas fica perto do meio em vários traços ao mesmo tempo.

Os traços preveem alguma coisa?

Estudos ligaram os cinco a dezenas de resultados, de relacionamentos ao trabalho. A psicologia teve dificuldade para repetir alguns achados famosos, então em 2019 Christopher Soto fez repetições grandes e pré-registradas de 78 ligações publicadas entre traços e resultados de vida, com uma mediana de 1.504 pessoas em cada uma. 87% das ligações foram achadas de novo na direção esperada, em geral com 77% da força original[7].

Então os traços dizem algo real sobre como as vidas costumam andar, em média, entre muita gente. Dizem bem menos sobre uma pessoa em particular, e não são um veredito sobre ninguém.

Como medir os seus cinco traços

Nosso teste Big Five de personalidade usa um questionário de domínio público com 120 afirmações, que mede os cinco traços e trinta facetas mais estreitas. Um teste de personalidade mais curto usa 50 afirmações, e o teste rápido de personalidade, 10. Questionários mais longos medem com mais precisão; os mais curtos dão um esboço rápido.

Os resultados aparecem em cada escala, com o meio marcado. Grandes amostras publicadas mostram como as respostas se espalham em uma população: por exemplo, 320.128 adultos dos Estados Unidos responderam on-line às mesmas 120 afirmações[8]. Responda como você costuma ser, não como gostaria de ser, e leia o resultado como uma descrição, não como um julgamento.

Se as pessoas também se dividem em tipos é o assunto de qual é o meu tipo de personalidade?

Perguntas

Quais são os cinco traços de personalidade do Big Five?

Abertura, conscienciosidade, extroversão, amabilidade e neuroticismo (o oposto da estabilidade emocional). Cada um é uma escala em que as pessoas diferem em grau.

A personalidade é herdada?

Em parte. Uma revisão de 62 resultados de estudos com gêmeos, famílias e adoção ligou cerca de 40% das diferenças entre as pessoas aos genes e o resto ao ambiente.

A personalidade muda com a idade?

Um pouco, e em uma direção comum: em média, as pessoas ficam mais conscienciosas e mais estáveis emocionalmente ao longo da juventude adulta. O lugar delas em relação às outras fica mais firme com a idade.

Por que cinco traços e não mais?

Porque cinco fatores amplos continuam aparecendo quando muitas descrições são analisadas, e outros fatores não se sustentaram nas amostras. Cada um dos cinco pode ser dividido em facetas mais estreitas.

Fontes

  1. Goldberg, L. R. (1990). An alternative "description of personality": The Big-Five factor structure. Journal of Personality and Social Psychology, 59(6), 1216–1229.doi:10.1037/0022-3514.59.6.1216
    Abstract: "In the 45 years since Cattell used English trait terms to begin the formulation of his \"description of personality,\" a number of investigators have proposed an alternative structure based on 5 orthogonal factors." "In the first of 3 studies, 1,431 trait adjectives grouped into 75 clusters were analyzed; virtually identical structures emerged in 10 replications, each based on a different factor-analytic procedure." "None of the factors beyond the 5th generalized across the samples." (lido em 2026-10-06: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/2283588/)
  2. McCrae, R. R., & Costa, P. T., Jr. (1987). Validation of the five-factor model of personality across instruments and observers. Journal of Personality and Social Psychology, 52(1), 81–90.doi:10.1037/0022-3514.52.1.81
    Adults rated by themselves and by people who knew them
    Abstract: "adjective factors of neuroticism, extraversion, openness to experience, agreeableness-antagonism, and conscientiousness-undirectedness were identified in an analysis of 738 peer ratings of 275 adult subjects. Intraclass correlations among raters, ranging from .30 to .65, and correlations between mean peer ratings and self-reports, from .25 to .62, showed substantial cross-observer agreement on all five adjective factors." (lido em 2026-10-06: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3820081/)
  3. McCrae, R. R., & Terracciano, A. (2005). Universal features of personality traits from the observer's perspective: Data from 50 cultures. Journal of Personality and Social Psychology, 88(3), 547–561.doi:10.1037/0022-3514.88.3.547
    Abstract: "To test hypotheses about the universality of personality traits, college students in 50 cultures identified an adult or college-aged man or woman whom they knew well and rated the 11,985 targets using the 3rd-person version of the Revised NEO Personality Inventory. Factor analyses within cultures showed that the normative American self-report structure was clearly replicated in most cultures and was recognizable in all." "Cross-sectional age differences for 3 factors followed the pattern identified in self-reports, with moderate rates of change during college age and slower changes after age 40." (lido em 2026-10-06: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/15740445/)
  4. Vukasović, T., & Bratko, D. (2015). Heritability of personality: A meta-analysis of behavior genetic studies. Psychological Bulletin, 141(4), 769–785.doi:10.1037/bul0000017
    Abstract: "the final sample included 62 independent effect sizes, representing more than 100,000 participants of both genders and all ages." "The average effect size was .40, indicating that 40% of individual differences in personality were due to genetic, while 60% are due to environmental influences." "study design was a significant moderator with twin studies showing higher estimates, .47, compared to family and adoption studies, .22." (lido em 2026-10-06: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/25961374/)
  5. Roberts, B. W., & DelVecchio, W. F. (2000). The rank-order consistency of personality traits from childhood to old age: A quantitative review of longitudinal studies. Psychological Bulletin, 126(1), 3–25.doi:10.1037/0033-2909.126.1.3
    Abstract: "From 152 longitudinal studies, 3,217 test-retest correlation coefficients were compiled. Meta-analytic estimates of mean population test-retest correlation coefficients showed that trait consistency increased from .31 in childhood to .54 during the college years, to .64 at age 30, and then reached a plateau around .74 between ages 50 and 70 when time interval was held constant at 6.7 years." (lido em 2026-10-06: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/10668348/)
  6. Roberts, B. W., Walton, K. E., & Viechtbauer, W. (2006). Patterns of mean-level change in personality traits across the life course: A meta-analysis of longitudinal studies. Psychological Bulletin, 132(1), 1–25.doi:10.1037/0033-2909.132.1.1
    Abstract: "The present study used meta-analytic techniques (number of samples = 92) to determine the patterns of mean-level change in personality traits across the life course. Results showed that people increase in measures of social dominance (a facet of extraversion), conscientiousness, and emotional stability, especially in young adulthood (age 20 to 40). In contrast, people increase on measures of social vitality (a 2nd facet of extraversion) and openness in adolescence but then decrease in both of these domains in old age. Agreeableness changed only in old age." (lido em 2026-10-06: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/16435954/)
  7. Soto, C. J. (2019). How replicable are links between personality traits and consequential life outcomes? The Life Outcomes of Personality Replication Project. Psychological Science, 30(5), 711–727.doi:10.1177/0956797619831612
    Abstract: "I conducted preregistered, high-powered (median N = 1,504) replications of 78 previously published trait-outcome associations. Overall, 87% of the replication attempts were statistically significant in the expected direction. The replication effects were typically 77% as strong as the corresponding original effects, which represents a significant decline in effect size." (lido em 2026-10-06: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/30950321/)
  8. Kajonius, P. J., & Johnson, J. A. (2019). Assessing the structure of the Five Factor Model of Personality (IPIP-NEO-120) in the public domain. Europe's Journal of Psychology, 15(2), 260–275.doi:10.5964/ejop.v15i2.1671
    n = 320.128; Volunteers in the United States aged 19 to 69 (mean age 28.1; 60% women) who answered all 120 items on a website
    Table A1, "Sample Descriptive Statistics of 5 Trait Domains and 30 Facets" (Trait domain, M, SD): "Neuroticism 11.10 2.66", "Extraversion 13.69 2.36", "Openness 13.71 2.06", "Agreeableness 14.87 2.01", "Conscientiousness 14.95 2.34". Note: "N = 320,128. … The facet trait scales ranged from 4 (Min) to 20 (Max)." Method: "Six facet traits in turn are averaged into one trait factor." (lido em 2026-10-06: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7871748/)